O Museu Folclórico e a Galeria de Arte fazem
parte da Biblioteca Koraes e, contem principalmente itens que foram parte
da coleção pessoal de Philip Argenti. Em 1932, Argenti fundou a Argenti Association*, cuja missão
era preservar e promover os tesouros históricos e folclóricos da ilha de
Chios (i.e. itens valiosos, trajes tradicionais, vestuários ect).
Em 1937, uma das escolas de ensino medio de
Chios disponibilizou uma sala para alojar o museu folclórico. Desde então,
o acervo do museu cresce gradativamente em quantidade e em valor, graças a
doações e a aquisições adicionais feitas por Philip Argenti.
Devido ao crescimento da coleção do museu,
seu fundador decidiu expandir a biblioteca construindo um piso adicional. O
propósito dessa construção era assegurar que a Coleção Folclórica e as
pinturas históricas e topográficas da ilha de Chios, também doadas por
Philip Argenti, estariam abrigadas sob um teto. Essa nova sessão foi
oficialmente aberta em 1962.
Após a morte
de Philip Argenti em 1974, seu filho, Pantelis, doou mais livros e pinturas
da coleção de seu finado pai. Foi nessa época que o museu se expandiu para
sua atual configuração. As pinturas expostas no salão de entrada da biblioteca e ao longo das
escadas e corredores no piso superior merecem atenção especial dos
visitantes. Todas essas pinturas descrevem a história de Chios e vieram da
coleção pessoal de Argenti.
Os bustos dos benfeitores da biblioteca, a
saber Adamantios Koraes e Philip Argenti, ocupam um local de destaque no
principal piso do prédio. Eles estão dispostos próximos aos brasões de armas das famílias mais
nobres de Chios e; as vitrinas que contém manuscritos e itens pessoais de
Koraes e outras pessoas importantes, junto com medálias, pedras, fósseis,
numerosos livros e várias pinturas.
Ao longo das escadas que levam ao piso
superior estão dispostas pinturas históricas e topográficas, principalmente
em aquarela e gravuras feitas com buril, que remetem ao século XIX. As SALAS A, B, C , D e E estão nesse
piso superior. Sendo que, as Salas D e E abrigam a coleção do Museu Folclórico.
* Associação Argenti
SALA A
O vestíbulo do piso superior é
principalmente decorado com pinturas históricas. Quatro dessas pinturas merecem destaque. Elas são gravuras feitas com
buril por R. Paton, pintor francês,
e referem aos eventos históricos também conhecidos como “The Orlofika”. Essa batalha naval foi liderada por
Orloff, um almirante russo, contra os turcos no Estreito de Cesme em 1770.
As outras são pinturas a óleo e gravuras
feitas com buril também inspiradas por batalhas navais contra piratas que
pilhavam as ilhas do Mar Egeu durante os seculos XVIII e XIX. Acima dos
batentes que levam as Salas B, C e D estão 6 pinturas inspiradas no
Massacre de 1822 em Chios. São pinturas a oleo (duas delas são cópias do
famoso ‘Massacre de Chios’ de Eugène Delacroix) e uma litografia feita por
Delacroix.
SALA B
Essa sala abriga pinturas e retratos de algumas das mais
proeminentes famílias de Chios. Esses retratos mostram Jenny Skylitsi (1853), Alexandra
Mavrokordatou-Skylitsi (1872), Ambrosios Argenti, filho de Leonis Argenti
(1861), Viera Argenti (1861), Julia Ralli-Argenti (1890), Maria-Julia
Argenti (1877) e Pantelys Argenti (1879). Há também um busto de mármore de Marouko
Argenti e bustos de bronze de Philip P. Argenti e seus filhos (Phany,
Georgina e Pantelys).
Os visitantes podem conferir um mostrador com medálias, moedas e pequenos
pratos, que pertenceram a família Argenti. Entre as moedas, estão algumas
emissões comemorativas, dedicadas a alguns dignitários de Veneza (famosos
‘Dons’/ fidalgos): Essas moedas
raras narram as empreitadas dos Dons
contra piratas em regiões próximas a Chios (1646-1647), a ocupação de Chios
e seus arquipelagos e a batalha naval de Cesme (1770). No segundo mostruário,
há alguns dos itens pessoais de Philip Argenti, como uma espada do Corpo
Diplomático, uma lança originária da Bélgica usada em batismos de crianças
(1815), miniaturas em molduras de porcelana e uma bíblia com capa de
marfim.
Finalmente,
a coleção compreende miniaturas e dois bustos de marfim da família Argenti,
um busto de mármore de Maria-Julia Argenti (1876) e um busto de bronze de
Mihalis Mavrokordatos.
Sala C
As pinturas desta sala são principalmente
sobre trajes tradicionais de Chios. A coleção cobre um considerável periodo
de tempo, i. e. entre o século XVI e XX. Visitantes podem conferir trajes
de diferentes regiões da ilha ( povoados e grupos de povoados, como por
exemplo Kampohora; ou povoados no plano central de Chios, e Voreiohora; ou
os povoados no norte de Chios).
Algumas
das pinturas mais antigas da coleção foram criadas por ``exploradores`` que
visitaram a ilha de Chios. A pintura mais recente, que data do Século XX,
foi criada com base nas descrições feitas por residentes locais. Essas
informações foram compiladas por Philip Argenti e usadas para produzir
essas pinturas.
Na sala, há 3 vitrinas com três manequins de porcelana (figuras vestidas
com trajes locais que já foram retratados em pinturas). Esses modelos, feitos em Londres
por D. Court, foram encomoendados por Philip Argenti. Quando as peças chegaram em
Chios, Argenti ordenou que os moldes fossem destruídos para assegurar que
elas seriam exclusivas.
Salas D e E
A coleção folclórica Philip Argenti compreende
quarto diferentes categorias: bordado, tecidos, trajes, utensílios de
entalhar Madeira.
A primeira categoria é composta por acessórios
de trajes, como mantilhas, lenços, punhos de manga; bem como outros
ornamentos e decorações usadas ao longo da casa, como “çevre”, toalhas e
bordados brancos. Esses itens compreendem um período entre meados do Século
XIX e começo do Século XX.
A coleção de tecidos consiste principalmente
em amostras de itens que remetem a 1936. Incluindo cintos decorados com vários
ornamentos (chamados ‘ploumia’ em Kalamoti e Pyrgi) ou listras (de Mesta). Esses
tecidos decoravam bainhas de saias de mulheres e ficavam dispostos em
listras, como se pode ver nas amostras. Uma variação dos métodos decorativos
consiste em usar pedaços de tecidos para decorar a casa. Atualmente, esses
tecidos são encontrados apenas em Mastihohoria.
É importante mencionar que poucos lugares na
Grécia em que uma área geográfica limitada, especialmente, uma ilha,
apresenta tamanha variedade de trajes locais. Esse fenômeno tambem acontece em Florina e nos
povoados próximos.
Finalmente os itens da coleção de itens
talhados em Madeira compreendem utensilhos usados por pastores.Eles foram
encontrados no Norte da ilha, área também conhecida como Voreiohora, e
descrevem a principal ocupação de pessoas nessa região, que consistiu
basicamente na criação de animais.
TRADUÇÃO: MARIA OLIVEIRA, Junho de 2012
Obs: Muito do sentido do texto pode ter-se perdido,
tendo em vista que a tradução foi feita do inglês para o português
(textos disponíveis na página da biblioteca na internet) e; não do texto
original em grego ; e que o intento é mais explanatório que
profissional.
Mais informações estão disponíveis na página da
biblioteca: www.koraeslibrary.gr
Um
dos setores menos conhecidos da Biblioteca Koraes, biblioteca pública central
de Chios é o Laboratório de Conservação e sua importante função de preservar os
livros raros e preciosos da biblioteca. Há que salientar também que poucas
bibliotecas na Grécia tem um laboratório de conservação.
Em 1994, o Conselho Administrativo começou a
refletir sobre a possiblidade de a própria biblioteca manter e conservar os
livros e arquivos que possui. Nos minutos
78-6* da reunião do dia 20 de Setembro de 1994, Dimitris
Dimitrakopoulos, o então diretor da biblioteca, propôs: “[…] a criação
de um laboratório de conservação para a biblioteca pública de Chios, tendo em
vista que a biblioteca atende a todas as
condições necessárias para estabelecer um moderno laboratório”.
“[…]
A Biblioteca Koraes possui um número considerável de livros inestimáveis,
arquivos, mapas, desenhos, jornais, pinturas etc. Esse material é uma rara, ou
melhor, uma singular fonte de pesquisa (especialmente os livros, gravuras etc). Esse tesouro, que tem mais de 200
anos, vem sendo destruído ao longo do tempo devido ao uso frequente e as pobres
condições de conservação, que não se adequavam as normas padrões de conservação”
(Minutos No 78-6, 20 de Setembro de 1994)
Dimitris
também elucidou nesse dia que o material da biblioteca não foi submetido (até
então) a processos sistemáticos de preservação
simplesmente porque seria necessário a contratação de expert(s) em conservação
e isso (também) pressuporia uma infraestrutura, como um laboratório
adequadamente equipado.
Durante
esse periodo, a arte da conservação não foi suficientemente desenvolvida na Grécia
e, consequentemente, havia poucos experts com considerável experiência.
Além do mais, antes de 1994, a Biblioteca Koraes não
possuía um espaço adequado
para
abrigar um laboratório ou os fundos necessários para mantê-lo em funcionamento.
Nessas
circunstancias, a meta inicial do laboratório foi “conservar da melhor forma
possível o acervo, mantendo-o em seu estado atual de conservação para prevenir mais
deteriorações. Para alcançar esse objetivo, foi importante utilizar mais
prateleiras, limpar e desinfectar o prédio e os depósitos, bem como arquivar em
microfilme alguns livros e manuscritos
da biblioteca” (op. cit.)
Em 1994, as condições favoráveis permitiram a criação
do Laboratório de Conservação, que funcionaria propriamente e teria
equipamentos de alto nível. De acordo
com as gravações dessa reunião do dia 20 de Setembro, a Biblioteca Koraes
conseguiu assegurar um espaço que poderia abrigar o laboratório de forma
segura; um prédio próximo, disponibilizado pela Prefeitura de Chios. O mais
importante, a biblioteca contratou especialistas, que poderiam então,
contribuir para a constituição de um laboratório de conservação profissional”. (idem)
No
seu artigo entitulado : Educating
conservation specialists in preserving library and archive material in Greece
and the current state of affairs*, Konstantinos Houlis apontou que “[…] Entre 1997 e 2000, o Laboratório de
Conservação funcionou de forma experimental e nele trabalharam estudantes do
Departamento de conservação. Esses estudantes tinham a oportunidade de realizar
um estágio de 6 meses, o que era parte das suas exigências curriculares e resultava
na elaboração do seu trabalho final” . (Houlis 2006: 72)
A
declaração de Houlis confirma que o laboratório nesse momento atendia pelo
menos os objetivos iniciais estabelecidos em 1994 pelo diretor do Conselho
Administrativo da biblioteca; a saber “que cada localidade possa providenciar
práticas/estágios aos estudantes especializados em arte de conservação, no
contexto do European Social Fund”**
(Minutes dated September 20, 1994)
* Educando especialistas em preservação de materiais e arquivos de
bibliotecas na Grécia e a atual situação desse tema **
Fundo Social Europeu
O
artigo de Houlis revela o envolvimento pessoal do autor na criação e
funcionamento do laboratório. Nos Minutos 88-6, da reuniao do dia 17 de Novembro de 1995, a Biblioteca
Koraes decidiu « encarregar o Professor Konstantinos Houlis, especialista
em conservação de livros, da preparação de um plano de estudos que [levasse] a
criação de um laboratório de conservação para a Biblioteca Koraes » (op.
cit)
A
verba foi assegurada por meio de « uma linha de crédito especial criada ad hoc no orçaamento para o ano fiscal
de 1995 ». O Conselho de Diretores estava particularmente preocupado em
assegurar que esse plano levaria em consideração “todas as condições necessárias
e processos que poderiam garantir o funcionamento apropriado do laboratório, de
acordo com os padrões reconhecidos internacionalmente. (op. cit.)
Durante
o periodo experimental, o laboratório foi equipado com uma maquina especial
para “processamento de papeis”. O equipamento foi adquirido graças a doações
generosas feitas pela associação “The
Friends of Koraes Library”*.
A
partir do 2000, ou seja, após o período experimental, a Biblioteca Koraes conseguiu
obter fundos adicionais a fim de contratar temporariamente um graduado do
Departamento de Conservação. Esse arranjo estava longe de atender : aos objetivos originais
estabelecidos pelo Conselho de Diretores a respeito do laboratório de conservação ;
ao propósito de sua criação ou ; aos anseios das pessoas que lançaram esse
empreendimento. O
ambicioso projeto logo perdeu o folego, parou de funcionar devido à falta de recursos e permaneceu fechado ate
2007.
Em 7
de Maio de 2007, o Conselho de Diretores decidiu reabrir o laboratório. Eles
entraram em contato com Kostas Houlis, dando-lhe permissão para colocar o
laboratório em funcionamento novamente de uma nova forma. (Minutes No 202_53, dated March 8, 2007)**. O Conselho também decidiu que todos os livros
que foram entregues para conservação deveriam retornar para seu local original.
* Amigos da Biblioteca Koraes ** (Minutos No
202_53, reunião do dia 8 de Marco de 2007). A História Recente da Biblioteca e suas Perspectivas FuturasHoje em dia, o principal propósito da biblioteca e’
preserver completamente todas as coleções de periodicos e arquivos, bem como os
manuscritos, cartões, mapas e jornais e; torná-los disponíveis para futures
gerações.
O
Laboratório de Conservação está alojado em uma sala separada, especialmente
modificada para providenciar um ambiente de trabalho contemporaneo e altamente
funcional. A sala tem três grandes janelas que fazem com que o lugar seja
iluminado naturalmente. Ha também três grandes áreas de trabalho (mesas) com reservatórios
embutidos para « neutralização»
(desacidificação) de papeis. Esse espaçoso e ergonômico design é um local de trabalho ideal onde três
pessoas podem trabalhar simultaneamente. A sala também está equipada com um
reservatório especial para desionizar água; um “leafcaster” (tanque onde se
imerge os papeis) e uma máquina para secar e endireitar o papel. Para o processo de encadernação, os
especialistas contam com duas tesouras especiais, máquinas de costura (ou emolduradoras)
e prensas de vários tamanhos. Finalmente, a sala tem os utensilhos e materiais
necessários que um laboratório básico deve ter. As condições ideais do ambiente
são criadas graças a um sistema autônomo de aquecimento e ar-condicionamento e
máquinas de monitoramento.
Em 2007,
a Biblioteca Koraes em colaboração com a “Ephorate
of Byzantine Antiquities”, e especialmente com a ajuda de Aristea Kavvadia,
diretora da Ephorate, decidiu reabrir
o laboratório uma vez por semana e permitir que a especialista em conservação,
Dionysia Glava-Mageirou se encarregasse de vários projetos de conservação.
Glava-Mageirou
trabalhou de Fevereiro de 2007 a Junho de 2008. Uma das primeiras tarefas das
quais ela se encarregou foi fazer com que o laboratório atingisse padrões
operacioanis aceitáveis, restaurando seu design inicial. Ela começou completando a catalogação
do material e identificando o equipamento e os instrumentos que seriam necessários
para o funcionamento do laboratório. No mesmo período, os bibliotecários
avaliaram as condições dos livros da biblioteca. A partir dessa avaliação, Glava-Mageirou,
ofereceu sua consultoria e os passos a serem seguidos para a preservação dos
livros.
Entre
Junho de 2008 e Marco de 2009, o laboratório se encarregou da conservação de vários
periodicos, especialmente os que seriam digitalizados. O processo de digitalização
foi concedido a empresa Globo.Antonis Petras, funcionário meio-período
na Globo, especialista em conservação,
foi o responsável pela conservação
desses periodicos.
Em
Marco de 2009, Antonis Petras assinou um contrato com a Biblioteca Koraes e
se encarregou do Laboratório de Conservação, onde ele trabalha exclusivamente
desde então.
Antonis
nasceu em Chios em Setembro de 1975 e estudou na “University of Derby”, onde se graduou em 2001. Terminou o mestrado em Archeological Materials* na University
of Nottingham. Entre 2006
e 2008, Antonis trabalhou na “10th
Ephorate of Byzantine Antiquities” ** em Athos, onde se especializou em conservação
de livros. Participou de várias conferências sobre preservação e encadernação
de livros.
* Materiais Arqueológicos **Décimo Ephorate de Antiguidades
Bizantinas
O
primeiro trabalho de conservação do qual Antonis se encarregou após juntar-se
ao Laboratório de Conservação da Biblioteca Koraes foi o « Dimitrios Tagias nautical map »*
, publicado em Veneza em 1582. Antonis levou 5 meses para restaurar o livro
completo, que foi lançado durante uma impressionante apresentação realizada na
Sala de Estudos da biblioteca no dia 02 de Marco de 2009. O lançamento do livro contou com a
presença de vários políticos locais. A « Coastal Services Fund of
Chios”** patrocinou a conservação desse livro, com base
no programa “Adopt a book in need of
conservation” ***.
Após
isso, Antonis Petras vem trabalhando em uma das “Herodotus’ of Halicarnassus Histories”**** , publicado em 1592 por Hernicus Stephanus (2a Edicao). O livro estava em péssimas condições: a
capa estava completamente destruida e as páginas foram gradativamente comidas
por insetos. O término
do trabalho de conservação estava previsto para final de 2010.
Além
do Herodoto, Antonis acabou de completar um estudo preliminar, um orçamento e
um cronograma para a conservação de um dos inestimáveis livros da biblioteca, La Description de l’Égypte*****. Nossa biblioteca possui uma das mais raras
edições desse livro. Matrona-Xyla
Egon é a orgulhosa tutora desse projeto.
Atualmente
a Biblioteca Koraes e o Laboratório de Conservação trabalham pela conscientizar
o público de que os raros livros (deste acervo) precisam urgentemente passar
por processos de conservação. Por esse motivo, estão lançando um ambicioso
programa de conservação e fazendo um chamado ao público para que a causa seja
apoiada.
* Cartas Náuticas feitas por Dimitrios Tagias. ** Fundo de Serviços Costeiros de Chios *** Adote um Livro que Precisa de Conservação **** As Histórias, de Herodoto de Halicarnasso ***** A Descrição
do Egito
Obs: Alguns
termos foram mantidos em inglês no corpo do texto para possibilitar referências/pesquisas
ao termo em si (livro, instituição, evento etc) que possivelmente não tem tradução
para o português. No final do trecho, aparece com o asterisco uma possível
tradução do texto, para que a/o leitor(a) tenha uma noção do que se trata.
Obs2: É provável que muito do sentido do texto foi
perdido no processo de tradução, tendo em vista que o texto foi traduzido do inglês
para o português (textos disponíveis na página da biblioteca na internet) e; não
do texto original em grego.
Obs 3: O
termo “conservação” foi usado num sentido que abrange “restauração” e outros
processos de arquivamento (incluindo digitalizações).
Philippos
Argenti (1881-1974) foi o principal
e mais generoso patrocinador da Biblioteca de Chios. Nascido em Marseille,
filho de Pantelis Argenti e Phani Skylitsi. Estudou literatura em Oxford e
então, Advocacia na Universidade de Atenas. Era poliglota, muito esforçado e
sempre interessado pela
aprendizagem.
Seus interesses por literatura e seu amor por
Chios inspiraram a direcionar suas atenções para os estudos de história
contemporânea da ilha. Graças
ao treinamento acadêmico, ele entendeu a importância de estudar as fontes
primárias ao retratar a história do local.
Os títulos abaixo são alguns dos
seus livros mais importantes:
The
Expedition of the Florentines to Chios (1599), 1934
The
Occupation of Chios by the Venetians (1694), 1935
Chius
Vincta or The Occupation of Chios by the Turks (1566), 1941
Diplomatic Archive of Chios
(1577-1841), 1954
The
Occupation of Chios by the Genoese (1346-1566), 1958
The
Religious Minorities of Chios, 1970
* (sobre a ocupação de Chios feita por Florença)
** (sobre a ocupação de Chios
por Veneza)
***(sobre a ocupação turca em Chios)
**** (sobre o arquivo
diplomático de Chios)
***** (sobre a ocupação de Chios
por Genova)
****** (sobre as minorias
religiosas em Chios)
Argenti ajudou a biblioteca de
vários modos. Ele doou cerca de 10 mil volumes, que consistiam de livros e
manuscritos. Desde 1948, ele se encarregou da construção de um piso adicional
para a biblioteca. O
piso
superior passou a abrigar a coleção folclórica da antiga “Argenti Association”.Além disso, a família
Argenti doou dinheiro para
financiar a adição de um anexo à biblioteca (1975-78). Pantelis Argenti, filho
de Philippos, continuou com a
tradição da família ajudando a renovar e rearranjar a biblioteca com
novos equipamentos e com a decoração.
Uma das muitas doações da
família Argenti foi uma singular coleção de pinturas, que poderia por si
só constituir uma galeria de
arte.
Philippos Argenti morreu em
Londres em 1974. Seu trabalho intelectual é uma demonstração por excelência, do
amor de uma pessoa por sua terra natal.
Tradução: Maria Oliveira
Fonte : www.koraeslibrary.gr
Adamantios Koraes nasceu em Esmirna (Turquia)
no ano 1748. Filho de mercador nascido em Chios, Ioannis Korais e sua mulher
Thomeatha Risiu. Após a educação básica em sua terra natal, ele foi enviado em 1771 a Amsterdã para começar
uma carreira de negociador. Na Holanda, teve a oportunidade, juntamente com
suas atividades de mercador, de ter aulas de línguas estrangeiras, de estudar
livros científicos e filosóficos e participar de correntes eruditas. Ele
permaneceu na Holanda até 1778, então retornou para Esmirna e em 1782, partiu para
Montpellier (na França), onde realizou brilhantes estudos em Medicina. Em 1788,
decidiu continuar seus estudos científicos em Paris. Estabeleceu-se
nessa cidade e se ocupou principalmente de realizar pesquisas e publica-las.
Os
feitos de Korais são notórios e pode-se dividi-los em três categorias:
a)“Médica”:
incluindo estudos originais e traduções de documentos médicos;
b)Filosófica:
inclui suas publicações de trabalhos escritos por “Gregos Antigos”; bem como sua
critica pessoal e suas sábias apreciações a esses trabalhos.
c)Étnica
(ou “nativa”): nesta categoria estão muitos pequenos panfletos com composições
que tinham objetivo de abrir os olhos de gregos para suas condições de
escravidão ou de; divulgar para os estrangeiros, informações sobre a situação
na Grécia. Sua missão teve grande repercussão não somente na sociedade grega,
mas em toda Europa
e nos Estados Unidos. Por isso, ele era conhecido, respeitado e convidado a dar
conselhos a várias pessoas sábias.
Para suas publicações,contou com auxilio financeiro, técnico e etico
dos irmãos Zosimades, de habitantes de Chios e de outros mercadores, advogados
e amigos. Sua contribuição étnica/nacional é historicamente a mais importante.
Não houve um problema grego que ele não tenha acompanhado ou se pelo qual não
tenha se interessado; sempre oferecendo sua ilustre opinião. Defensor da
liberdade e da democracia, acompanhou atenciosamente os acontecimentos
políticos do seu tempo e não hesitou em estigmatizar negativamente todas as
tendências despóticas, autoritárias e obsoletas.
Seu grande interesse foi pelas escolas, que ele
auxiliou de todas as formas possíveis, fazendo proposições e guiando-as em muitos
empreendimentos. Apesar de sua difícil situação financeira, Korais reuniu
muitos livros, posteriormente criando uma impressionante biblioteca em Paris. Seu desejo era
de que a biblioteca e seus manuscritos fossem transferidos para Chios depois de
sua morte – um acervo de 3.500 volumes. Sua vontade foi atendida depois de
muitos adiamentos. Faleceu na capital francesa em 1833 tendo visto a
descolonização de partes da Grécia; mas não de sua ternamente amada, Chios.
A Biblioteca Koraes é a
principal biblioteca pública de Chios. É uma instituição histórica cuja a
própria história remete a 1792, é uma das maiores e mais antigas bibliotecas na
Grécia. Originalmente, a biblioteca era um anexo da Escola de Chios. A primeira
coleção consistia de livros pertencentes a Adamantios Koraes e outros
intelectuais gregos que estavam no estrangeiro. Após a destruição da biblioteca
durante o Massacre de Chios em 1822, Koraes enviou mais livros para ajudar a
reconstruir a coleção. Era vontade de Koraes que uma porção considerável de
seus livros e manuscritos fosse enviada para Chios após a sua morte. Ele
faleceu em 1833.
Em 1881, um terremoto devastador
abalou a ilha de Chios. Devido à extensão dos danos, a decisão feita foi alojar
a biblioteca no prédio onde ela se encontra atualmente. Em Philip Argenti
financiou a construção do segundo andar da biblioteca. Entre 1975 e
1978, o prédio foi expandido e modernizado a fim de abrigar a Coleção de
Artigos Folclóricos, que pertencia a Argenti. Com o passar dos anos, a
biblioteca conseguiu adquirir, por meio de doações feitas por eminentes
intelectuais, inestimáveis livros, manuscritos periódicos, pinturas, moedas,
mapas e outros itens de grande valor.
Um dos tesouros mais valiosos da
biblioteca é a obra Description de
l´Egypte, uma série de 14 volumes ilustrados, publicados entre 1809 e 1822,
doada por Napoleão a Adamantios Koraes.
Nascido em 1748, Adamantios
Koraes estudou medicina em Montpellier na França e mudou-se para Paris em 1788.
Koraes nunca exerceu medicina. Em vez disso, ele se tornou um brilhante
filólogo e um dos intelectuais instigadores da Revolução Grega de 1821. Sua
terra natal, que estava sob jugo do Império Otomano, e sua ternamente amada
Chios estavam constantemente em suas considerações.