O Museu Folclórico e a Galeria de Arte fazem
parte da Biblioteca Koraes e, contem principalmente itens que foram parte
da coleção pessoal de Philip Argenti. Em 1932, Argenti fundou a Argenti Association*, cuja missão
era preservar e promover os tesouros históricos e folclóricos da ilha de
Chios (i.e. itens valiosos, trajes tradicionais, vestuários ect).
Em 1937, uma das escolas de ensino medio de
Chios disponibilizou uma sala para alojar o museu folclórico. Desde então,
o acervo do museu cresce gradativamente em quantidade e em valor, graças a
doações e a aquisições adicionais feitas por Philip Argenti.
Devido ao crescimento da coleção do museu,
seu fundador decidiu expandir a biblioteca construindo um piso adicional. O
propósito dessa construção era assegurar que a Coleção Folclórica e as
pinturas históricas e topográficas da ilha de Chios, também doadas por
Philip Argenti, estariam abrigadas sob um teto. Essa nova sessão foi
oficialmente aberta em 1962.
Após a morte
de Philip Argenti em 1974, seu filho, Pantelis, doou mais livros e pinturas
da coleção de seu finado pai. Foi nessa época que o museu se expandiu para
sua atual configuração. As pinturas expostas no salão de entrada da biblioteca e ao longo das
escadas e corredores no piso superior merecem atenção especial dos
visitantes. Todas essas pinturas descrevem a história de Chios e vieram da
coleção pessoal de Argenti.
Os bustos dos benfeitores da biblioteca, a
saber Adamantios Koraes e Philip Argenti, ocupam um local de destaque no
principal piso do prédio. Eles estão dispostos próximos aos brasões de armas das famílias mais
nobres de Chios e; as vitrinas que contém manuscritos e itens pessoais de
Koraes e outras pessoas importantes, junto com medálias, pedras, fósseis,
numerosos livros e várias pinturas.
Ao longo das escadas que levam ao piso
superior estão dispostas pinturas históricas e topográficas, principalmente
em aquarela e gravuras feitas com buril, que remetem ao século XIX. As SALAS A, B, C , D e E estão nesse
piso superior. Sendo que, as Salas D e E abrigam a coleção do Museu Folclórico.
* Associação Argenti
SALA A
O vestíbulo do piso superior é
principalmente decorado com pinturas históricas. Quatro dessas pinturas merecem destaque. Elas são gravuras feitas com
buril por R. Paton, pintor francês,
e referem aos eventos históricos também conhecidos como “The Orlofika”. Essa batalha naval foi liderada por
Orloff, um almirante russo, contra os turcos no Estreito de Cesme em 1770.
As outras são pinturas a óleo e gravuras
feitas com buril também inspiradas por batalhas navais contra piratas que
pilhavam as ilhas do Mar Egeu durante os seculos XVIII e XIX. Acima dos
batentes que levam as Salas B, C e D estão 6 pinturas inspiradas no
Massacre de 1822 em Chios. São pinturas a oleo (duas delas são cópias do
famoso ‘Massacre de Chios’ de Eugène Delacroix) e uma litografia feita por
Delacroix.
SALA B
Essa sala abriga pinturas e retratos de algumas das mais
proeminentes famílias de Chios. Esses retratos mostram Jenny Skylitsi (1853), Alexandra
Mavrokordatou-Skylitsi (1872), Ambrosios Argenti, filho de Leonis Argenti
(1861), Viera Argenti (1861), Julia Ralli-Argenti (1890), Maria-Julia
Argenti (1877) e Pantelys Argenti (1879). Há também um busto de mármore de Marouko
Argenti e bustos de bronze de Philip P. Argenti e seus filhos (Phany,
Georgina e Pantelys).
Os visitantes podem conferir um mostrador com medálias, moedas e pequenos
pratos, que pertenceram a família Argenti. Entre as moedas, estão algumas
emissões comemorativas, dedicadas a alguns dignitários de Veneza (famosos
‘Dons’/ fidalgos): Essas moedas
raras narram as empreitadas dos Dons
contra piratas em regiões próximas a Chios (1646-1647), a ocupação de Chios
e seus arquipelagos e a batalha naval de Cesme (1770). No segundo mostruário,
há alguns dos itens pessoais de Philip Argenti, como uma espada do Corpo
Diplomático, uma lança originária da Bélgica usada em batismos de crianças
(1815), miniaturas em molduras de porcelana e uma bíblia com capa de
marfim.
Finalmente,
a coleção compreende miniaturas e dois bustos de marfim da família Argenti,
um busto de mármore de Maria-Julia Argenti (1876) e um busto de bronze de
Mihalis Mavrokordatos.
Sala C
As pinturas desta sala são principalmente
sobre trajes tradicionais de Chios. A coleção cobre um considerável periodo
de tempo, i. e. entre o século XVI e XX. Visitantes podem conferir trajes
de diferentes regiões da ilha ( povoados e grupos de povoados, como por
exemplo Kampohora; ou povoados no plano central de Chios, e Voreiohora; ou
os povoados no norte de Chios).
Algumas
das pinturas mais antigas da coleção foram criadas por ``exploradores`` que
visitaram a ilha de Chios. A pintura mais recente, que data do Século XX,
foi criada com base nas descrições feitas por residentes locais. Essas
informações foram compiladas por Philip Argenti e usadas para produzir
essas pinturas.
Na sala, há 3 vitrinas com três manequins de porcelana (figuras vestidas
com trajes locais que já foram retratados em pinturas). Esses modelos, feitos em Londres
por D. Court, foram encomoendados por Philip Argenti. Quando as peças chegaram em
Chios, Argenti ordenou que os moldes fossem destruídos para assegurar que
elas seriam exclusivas.
Salas D e E
A coleção folclórica Philip Argenti compreende
quarto diferentes categorias: bordado, tecidos, trajes, utensílios de
entalhar Madeira.
A primeira categoria é composta por acessórios
de trajes, como mantilhas, lenços, punhos de manga; bem como outros
ornamentos e decorações usadas ao longo da casa, como “çevre”, toalhas e
bordados brancos. Esses itens compreendem um período entre meados do Século
XIX e começo do Século XX.
A coleção de tecidos consiste principalmente
em amostras de itens que remetem a 1936. Incluindo cintos decorados com vários
ornamentos (chamados ‘ploumia’ em Kalamoti e Pyrgi) ou listras (de Mesta). Esses
tecidos decoravam bainhas de saias de mulheres e ficavam dispostos em
listras, como se pode ver nas amostras. Uma variação dos métodos decorativos
consiste em usar pedaços de tecidos para decorar a casa. Atualmente, esses
tecidos são encontrados apenas em Mastihohoria.
É importante mencionar que poucos lugares na
Grécia em que uma área geográfica limitada, especialmente, uma ilha,
apresenta tamanha variedade de trajes locais. Esse fenômeno tambem acontece em Florina e nos
povoados próximos.
Finalmente os itens da coleção de itens
talhados em Madeira compreendem utensilhos usados por pastores.Eles foram
encontrados no Norte da ilha, área também conhecida como Voreiohora, e
descrevem a principal ocupação de pessoas nessa região, que consistiu
basicamente na criação de animais.
TRADUÇÃO: MARIA OLIVEIRA, Junho de 2012
Obs: Muito do sentido do texto pode ter-se perdido,
tendo em vista que a tradução foi feita do inglês para o português
(textos disponíveis na página da biblioteca na internet) e; não do texto
original em grego ; e que o intento é mais explanatório que
profissional.
Mais informações estão disponíveis na página da
biblioteca: www.koraeslibrary.gr
Philippos
Argenti (1881-1974) foi o principal
e mais generoso patrocinador da Biblioteca de Chios. Nascido em Marseille,
filho de Pantelis Argenti e Phani Skylitsi. Estudou literatura em Oxford e
então, Advocacia na Universidade de Atenas. Era poliglota, muito esforçado e
sempre interessado pela
aprendizagem.
Seus interesses por literatura e seu amor por
Chios inspiraram a direcionar suas atenções para os estudos de história
contemporânea da ilha. Graças
ao treinamento acadêmico, ele entendeu a importância de estudar as fontes
primárias ao retratar a história do local.
Os títulos abaixo são alguns dos
seus livros mais importantes:
The
Expedition of the Florentines to Chios (1599), 1934
The
Occupation of Chios by the Venetians (1694), 1935
Chius
Vincta or The Occupation of Chios by the Turks (1566), 1941
Diplomatic Archive of Chios
(1577-1841), 1954
The
Occupation of Chios by the Genoese (1346-1566), 1958
The
Religious Minorities of Chios, 1970
* (sobre a ocupação de Chios feita por Florença)
** (sobre a ocupação de Chios
por Veneza)
***(sobre a ocupação turca em Chios)
**** (sobre o arquivo
diplomático de Chios)
***** (sobre a ocupação de Chios
por Genova)
****** (sobre as minorias
religiosas em Chios)
Argenti ajudou a biblioteca de
vários modos. Ele doou cerca de 10 mil volumes, que consistiam de livros e
manuscritos. Desde 1948, ele se encarregou da construção de um piso adicional
para a biblioteca. O
piso
superior passou a abrigar a coleção folclórica da antiga “Argenti Association”.Além disso, a família
Argenti doou dinheiro para
financiar a adição de um anexo à biblioteca (1975-78). Pantelis Argenti, filho
de Philippos, continuou com a
tradição da família ajudando a renovar e rearranjar a biblioteca com
novos equipamentos e com a decoração.
Uma das muitas doações da
família Argenti foi uma singular coleção de pinturas, que poderia por si
só constituir uma galeria de
arte.
Philippos Argenti morreu em
Londres em 1974. Seu trabalho intelectual é uma demonstração por excelência, do
amor de uma pessoa por sua terra natal.
Tradução: Maria Oliveira
Fonte : www.koraeslibrary.gr